Então, eu disse a uma amiga: "Fiquei a noite inteira discutindo com minha sobrinha o seu projeto do mestrado!". Depois, quando reli a frase, numa espécie de epifania, percebi o quanto este era uma grandiosíssimo luxo patruusnal!
O que talvez isso seja:
Um depósito de cacarecos...
Um saco para enfiar coisas...
Um espaço para rápidas divagações...
Reflexões sobre reflexões...
Pseudo-furtos de obras da rede...
Raptos de obras de arte...
Rabiscos meus...
Sinapses mentais...
Fragmentos de processos complexos...
Epístolas Apócrifas...
Baboseiras inúteis...
Alteridades invejadas...
Filosofices sem créditos...
Vaticínios escatológicos... :
Um Diário da Noite!
Uma Noitada Diária!
2012
Hoje resolvi caminhar, a princípio, em direção à Livraria Cultura (como de fato acabei fazendo), mas com a liberdade de um voyeur: seguiria meu prumo e, se por ventura, algum vento forte assoprasse as velas de meu Navio para um outro horizonte não iria oferecer forças de resistência à Natureza (porque não sou tonto!!!).
Acabei saindo de casa e pegando a Augusta (Nossa, êta rua mais com cara de centrodesampa!). No meio do caminho.... não havia uma pedra... (na verdade, havia inúmeras pedras: uma cidade inteira de cimento!)... e enquanto caminhava percebia que existia naquela movimentação, no andar das pessoas, na indumentária, um certo ar praiano.
Fiquei pensando no Rio Sena que, no verão europeu, é "invadido" pelas areias do Mar. Daí eis que surge uma miragem, um sonho, uma sinestésica visão de uma Augusta plena de areia... de caminhantes descalços, de conchas no chão, jovens jogando peteca, moços e moças cruzando semi nus desfilando seus corpos apolíneos, outros tantos - nem aí para os estetas - esbaldando-se com suas belezas dionisíacas...
Quando dei por mim, em minhas digressivas divagações, quase tropeço em um postezinho! Acordo do sonho! Quando esfrego os olhos para perceber-me em meus cinco sentidos, eis que enxergo vários postezinhos... todos coloridos, bordados de crochê!
Acabo de receber um presente do universo: um antigo caderno de anotações, registro de um início de processo que está se finalizando. Ele veio chegando, a princípio com certa resistência, mas fisgado, enrolado e recolhido por meus olhos famintos de Magia. Dialética e inevitavelmente, fecha-se-abre-se-fecha-se-abre-se a Mandala da Aralha.
Personagem Capa de Meu Caderno
Será que existe uma análise da importância social do cigarro? Há malefícios, ok - imagino que existam, afinal... o Ministério Adverte - mas e o lado positivo: a companhia de mão que não nos deixa só em momentos de tensão? ... A conversinha brejeira quando neguinho vem "sedento" por umas baforadas e te pede, todo na simpatia mais simpática do mundo: "senhor, tem aí um cigarrinho?"
Não faço apologia ao cigarro: nem que fumem, nem que deixem de fumar! Nem que comam, nem que deixem de comer... (e aqui falo das carnes!). Cada um tem o seu processo, cada um tem o seu corpo, cada um tem o seu movimento, cada um tem o seu fluxo...
Creio que se cada um entendesse melhor do seu corporganismo a vida inteira seria bem menos tóxica!
Depois de um tempo sem postar nada, eis que retorno para este diário de Bordo. A proposição primeira era, como disse em postagens anteriores, analisar de modo talvez metalinguístico o que é o gênero blog. Imagino que já exista uma série de investigações sendo encaminhadas por aí. Mas este processo de procura às vezes é, de antemão, exaustivo. O bom é meter a mão na massa e ver por si mesmo "qualequeé"!
Observar os comentários de internautas em sites de grande apelo sensacionalista sempre me assusta pelo seu caráter geralmente bipolar: ora beiram a um moralismo extremo em suas colocações, ora tripudiam e ridicularizam como demônios. Se alguém comete um desvio - de qualquer ordem e em qualquer medida - ele é tripudiado, ridicularizado, com adjetivações dignas de um torturador medieval. Em outros casos, muitíssimos extrapolam o preconceito, aproximando-se dos discursos nazistas, fascistas.
Há uma semana apenas, descobri que há no centro de Sampa algumas estátuas bem no topo de alguns prédios, o que me causou uma forte impressão. Não sei há quanto tempo elas estão lá, não sei de quem é o projeto, não sei quem é o artista... Na verdade, prefiro que seja assim! Descobri-los talvez dessacralizasse esse momento de descoberta! Hoje, ao voltar do trabalho, encontrei mais um desses homenzinhos no topo do Tribunal Eleitoral... Quase esbarrei em alguém na rua ao olhá-lo em contra-plongé, mas continuei observando-o admirado enquanto me foi possível. Amanhã investigarei outros prédios ou, quem sabe, subirei em algum deles e contemplarei a cidade em sintonia com estes homens que arranham os céus.
Lembro quando ainda era adolescente e fazia parte do coral da Escola de Belas Artes Heitor de Lemos, em Rio Grande, e meu regente mencionou uma cantora peruana chamada Yma Sumac, cuja extensão da voz beirava o sobrenatural. Na época, como o acesso às informações não era tão fácil como é hoje, não pude conhecê-la muito bem. Há alguns meses, baixei algumas músicas interpretadas por ela e pude comprovar a sua potência vocal. Entretanto, o que me deixa deslumbrado é, mais do que a beleza da voz, este mistério que gira em torno da potencialidade humana que acaba sempre ultrapassando os seus próprios limites.
Coloquei-me na obrigatoriedade da escrita cotidiana. Não porque ache que minhas ideias sejam esplêndidas e que estarei fazendo um serviço à Humanidade com insights geniais, mas muito mais como um processo pessoal de escritura e, mais do que isso, de pesquisa! Não apenas para entender o gênero blog (coisa que mencionei logo no início destas postagens), como também para refletir metalinguisticamente sobre a internet e a sua potência que me parece cada vez mais assustadora.
... e as transformações estão todas por aí... Há um lugar-não-lugar que é possível quase sentir materialmente... A internet, só para início de conversa, é um veículo que usamos habitualmente, mas que ainda não temos a dimensão da sua potência. Mesmo o seu uso ideológico como veículo de reivindicação social parece-me ainda só a ponta do iceberg... Para onde vamos todos nós? Qual a direção deste mundo em pleno rebuliço? Já não é necessário ser um economista, sociólogo, antropólogo, etc, para entendermos este processo de transformação... Basta estarmos vivo para senti-lo!



