Hoje resolvi caminhar, a princípio, em direção à Livraria Cultura (como de fato acabei fazendo), mas com a liberdade de um voyeur: seguiria meu prumo e, se por ventura, algum vento forte assoprasse as velas de meu Navio para um outro horizonte não iria oferecer forças de resistência à Natureza (porque não sou tonto!!!).
Acabei saindo de casa e pegando a Augusta (Nossa, êta rua mais com cara de centrodesampa!). No meio do caminho.... não havia uma pedra... (na verdade, havia inúmeras pedras: uma cidade inteira de cimento!)... e enquanto caminhava percebia que existia naquela movimentação, no andar das pessoas, na indumentária, um certo ar praiano.
Fiquei pensando no Rio Sena que, no verão europeu, é "invadido" pelas areias do Mar. Daí eis que surge uma miragem, um sonho, uma sinestésica visão de uma Augusta plena de areia... de caminhantes descalços, de conchas no chão, jovens jogando peteca, moços e moças cruzando semi nus desfilando seus corpos apolíneos, outros tantos - nem aí para os estetas - esbaldando-se com suas belezas dionisíacas...
Quando dei por mim, em minhas digressivas divagações, quase tropeço em um postezinho! Acordo do sonho! Quando esfrego os olhos para perceber-me em meus cinco sentidos, eis que enxergo vários postezinhos... todos coloridos, bordados de crochê!
