maio 2012

É quando temos plena consciência de que todas as nossas mínimas ações são potentes e se articulam como fractais no universo que a verdadeira magia começa.

"Borboletas usam hibridização para sobreviver", acabei de ler na mensagem do twitter. E minha sobrinha hoje me perguntou: "O que acho das borboletas?" 
Lembrei-me, então, de um poema que escrevi há uns três anos, na primeira vez que vim para Sampa:

Há uma semana apenas, descobri que há no centro de Sampa algumas estátuas bem no topo de alguns prédios, o que me causou uma forte impressão. Não sei há quanto tempo elas estão lá, não sei de quem é o projeto, não sei quem é o artista... Na verdade, prefiro que seja assim! Descobri-los talvez dessacralizasse esse momento de descoberta! Hoje, ao voltar do trabalho, encontrei mais um desses homenzinhos no topo do Tribunal Eleitoral... Quase esbarrei em alguém na rua ao olhá-lo em contra-plongé, mas continuei observando-o admirado enquanto me foi possível. Amanhã investigarei outros prédios ou, quem sabe, subirei em algum deles e contemplarei a cidade em sintonia com estes homens que arranham os céus.

Lembro quando ainda era adolescente e fazia parte do coral da Escola de Belas Artes Heitor de Lemos, em Rio Grande, e meu regente mencionou uma cantora peruana chamada Yma Sumac, cuja extensão da voz beirava o sobrenatural. Na época, como o acesso às informações não era tão fácil como é hoje, não pude conhecê-la muito bem. Há alguns meses, baixei algumas músicas interpretadas por ela e pude comprovar a sua potência vocal. Entretanto, o que me deixa deslumbrado é, mais do que a beleza da voz, este mistério que gira em torno da potencialidade humana que acaba sempre ultrapassando os seus próprios limites.





Coloquei-me na obrigatoriedade da escrita cotidiana. Não porque ache que minhas ideias sejam esplêndidas e que estarei fazendo um serviço à Humanidade com insights geniais, mas muito mais como um processo pessoal de escritura e, mais do que isso, de pesquisa! Não apenas para entender o gênero blog (coisa que mencionei logo no início destas postagens), como também para refletir metalinguisticamente sobre a internet e a sua potência que me parece cada vez mais assustadora.

... e as transformações estão todas por aí... Há um lugar-não-lugar que é possível quase sentir materialmente... A internet, só para início de conversa, é um veículo que usamos habitualmente, mas que ainda não temos a dimensão da sua potência. Mesmo o seu uso ideológico como veículo de reivindicação social parece-me ainda só a ponta do iceberg... Para onde vamos todos nós? Qual a direção deste mundo em pleno rebuliço? Já não é necessário ser um economista, sociólogo, antropólogo, etc, para entendermos este processo de transformação... Basta estarmos vivo para senti-lo!


Há duas semanas, descobri uma figura fantástica chamada Alejandro Jodorowsky. Um cineasta, poeta, escritor e psicólogo - que se autodenomina "psicomago". Este artista chileno possui uma obra absolutamente onírica e perturbadora. O vídeo acima chama-se The Holy Mountain.