Ser artista é uma bênção. Ser o porta-voz das musas da criação é um dom sagrado que merece respeito e admiração. Entretanto, se há alguns séculos esta condição propiciava ao artista a plena vivência da/na Arte, nos dias de hoje, o artista necessita lidar com a contradição transcendência versus sobrevivência, pois as necessidades diárias e cotidianas, as exigências burocráticas para a plasmação de uma obra fazem com que ele se desgaste de uma maneira bastante intensa.
E muito além do desgaste com os enfrentamentos práticos e objetivos da lida cotidiana, o artista precisa lidar com um desafio ainda mais profundo: a arte de conhecer a si mesmo por meio da pesquisa investigativa dos personagens. Tal dinâmica lhe impõe, antes de mais nada, um desnudamento e uma entrega que, em nome da arte, necessária e inevitavelmente o desestabiliza, colocando-o diante da condição sine qua non para a criação: o processo de auto-destruição.
É exatamente nesta perspectiva que o Arteterapeuta pode surgir como um apoio psicológico ao artista, na medida em que atua como uma espécie de ponto de intermediação entre o plano consciente e o inconsciente, propiciando-lhe um mergulho mais seguro nos domínios da inconsciência, não evitando a inexorável destruição/reconstrução, mas propondo-lhe as leituras simbólicas necessárias para lidar pessoal e artisticamente com o material encontrado nas camadas mais profundas da psique.